Gambiarras em games, discórdias e uma ideia maluca para Interlagos

Todo fã brasileiro de automobilismo sabe que o autódromo com a principal história do país é o de Interlagos. O circuito que recebe anualmente a Fórmula 1 há quase 25 anos seguidos e é o lar das principais competições nacionais (pelo menos até antes da reforma visando o Grande Prêmio do Brasil deste ano, em novembro). No entanto, a história do traçado sempre foi um tema de fervorosa discussões.

Interlagos de hoje

O traçado original, com a extensão de quase oito quilômetros, é o sonho de todo cabeça de gasolina, pois tinha tudo lá. O problema foi que o autódromo quase foi limbo por conta da especulação imobiliária, mas como o Brasil quase ficou sem Grande Prêmio em 1990 graças à incompetência dos governantes do Rio de Janeiro na administração de Jacarepaguá, sendo a pista paulistana a única opção mais viável, mas como o traçado longo não tinha segurança suficiente para atender os engomadinhos da FIA e suas exigências, que já enchiam o saco ainda naquela época.

A pista original

Pois bem, para São Paulo receber a categoria, foi necessária uma grande reforma, com o aval da prefeitura e de empresas para fazer um circuito para agradar a patota de Bernie Ecclestone, mas a única ideia aprovada foi a de um devaneio de Ayrton Senna da Silva, o homem que fazia a nação parar nos domingos de manhã, que ofereceu a única ideia que agradou aos europeus. Contudo o traçado antigo acabou sacrificado e o novo, com a inclusão de um “S” passou a ser utilizado até os dias de hoje e muito mais.

Bom, muitos saudosistas até hoje esculhambam o traçado atual e ficam choramingando pela perda do trajeto original, metendo pau nos responsáveis pela reforma, especialmente no falecido piloto brasileiro. Sinceramente, em minha humilde opinião, acho que o traçado antigo era sensacional e seria o máximo ter corridas nesse trajeto, mas acho que o traçado atual fantástico também, um dos melhores do mundo até hoje e quem o critica é um zé-ruela que deveria pegar uma enxada e ir carpir no terreno mais próximo ao invés de encher o saco alheio na rede mundial de computadores (sim, isso foi um recado para quem quiser soltar qualquer impropério nos comentários deste post)

De qualquer forma, uma ideia que veio a minha mente poderia resolver um pouco essa discussão na tentativa de agradar as viúvas do velho traçado e as viúvas do tricampeão mundial de Fórmula 1. Para isso, foi necessário um videogame para abrir a minha mente.

F1 Grand Prix (1991)

F1 Grand Prix (1991)

O jogo F1 Grand Prix foi lançado em 1991 pela Video System para o Super Nintendo no Japão, empresa responsável por fazer jogos oficiais da categoria para os games durante a década de 1990 fez um jogo que está longe de ser lembrado dos melhores games de corrida de todos os tempos, mas particularmente gostei bastante de me divertir com este.

O game trazia todos os pilotos e equipes oficiais da temporada em seus respectivos lugares. A abertura usava a clássica música Truth, que por muito tempo foi a vinheta de abertura da Fórmula 1 no Japão e é lembrada até hoje por muitos cabeças de gasolina.

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O jogo tinha umas coisas bem curiosas. Por exemplo, quando foi lançado, já tinha o nome de Michael Schumacher na Benetton e de Roberto Pupo Moreno na Jordan. No entanto, olhando pela tela de seleção dos pilotos, na equipe da grife, Schumi estava com o capacete de Moreno e o Baixo estava com o capacete de Bertrand Gachot. Provavelmente o jogo estava em avançado estado de desenvolvimento antes do Grande Prêmio da Bélgica, que foi a corrida que marcou a estreia do piloto alemão na Fórmula 1 e não houve tempo hábil para arrumar isso. Mais informações sobre esta mudança aqui e aqui.

Mas o jogo tinha outras falhas. A principal delas vinha nos traçados, que saíam com algumas diferenças em relação aos originais, com chincanes invertidas ou inventadas em partes dos circuitos. Uma destas vítimas foi justamente o Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos.

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A imagem, como podem ver acima, mostra que o S do Senna foi invertido com a Curva do Sol, mas a partir daí, podemos concluir outra coisa: Na verdade o começo do circuito seria com as curvas 1 e 2 do velho traçado e o S viria na sequência ligando-se diretamente à Reta Oposta. Além disso, há uma mudança no Laranjinha, que tinha uma chincane antes da curva (esse trecho até estava em um dos projetos vetados pela FIA).

Em amarelo, o traçado sugerido (eu sei, ficou tosco)

Em amarelo, o traçado sugerido (eu sei, ficou tosco)

Pois bem, ao pensar um pouco, percebi que essa poderia ser uma ideia a ser executada para uma obra em Interlagos. O traçado ganharia mais metros em relação aos 4.309 atuais, e manteria as características para manter o circuito antigo completo, com a mesma saída de boxes que existia antes da reforma, além de ter um traçado alternativo para a F1, e manteria uma homenagem ao Senna. Todos sairiam ganhando nessa.

Mas, é claro, isso tudo não passaria de um devaneio. Não sei se a área de escape das curvas 1 e 2 seriam boas o suficiente para a entidade máxima do automobilismo e também se fosse construir uma arquibancada para a reta Oposta, até onde iria afetar o Retão. Bom, é uma questão para a engenharia responder, mas fica aqui o registro de um sonho de gamer fã de velocidade.

E para os adeptos do automobilismo virtual, fica uma dica para um traçado alternativo de Interlagos. Se alguém se dispuser a fazê-lo e postar algum vídeo no Youtube mostrando qual seria o resultado, esteja a vontade. Enfim, que se abra a discussão. Diga o que achou dessa ideia? Maluca? Perda de tempo? Aceitável? Não acredito no “e se”? Tire as suas próprias conclusões.

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